Escólio · Ópera · Escrito CLXXIII

CLXXIII

O Aviso em Ré Maior

Por que a canção mais bela da Carmen é também a que mais avisa, e o que quem ouve deve a um aviso bonito

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Aba I

Abertura, I e II · A cena e a viagem da canção

Aba II

III a V · A letra, a forma e o ouvido

Aba III

VI a VIII · A plateia, a objeção e o segundo gesto

O sino da fábrica de tabaco toca, e a praça de Sevilha, que estava meio vazia, enche de uma hora para outra. Os soldados já estavam ali, encostados nas paredes da guarita, sentados em cadeiras, fingindo não olhar para a porta. Os rapazes da cidade chegaram mais cedo ainda. Quando as cigarreiras saem em bando, com o cheiro de tabaco preso às roupas, os homens se apertam em volta de uma delas, a que não tem pressa de passar.

Perguntam quando ela vai amá-los.

Ela olha para um, olha para outro, e responde como quem fala do tempo. Não sabe. Talvez nunca, talvez amanhã. Hoje, com certeza, não.

Então começa a cantar. Lá embaixo, nos violoncelos, um ritmo de dança anda sozinho, com uma batida que cai um pouco fora do lugar, e ela se move por dentro dele sem tocar em ninguém. Os homens riem, aplaudem, pedem mais. É a coisa mais bonita que ouviram em muito tempo.

No canto da praça, um soldado de cabeça baixa mexe numa corrente de metal e não olha para ninguém.

I

O Sino e a Pergunta

Sobre a entrada de Carmen e o que a Habanera responde

Os homens fazem uma pergunta, e ela responde com uma canção. A ópera se passa em Sevilha, estreou em Paris em 3 de março de 1875 e se baseia numa novela de Prosper Mérimée, de 1845. Quem escreveu a música foi Georges Bizet, que tinha 36 anos e morreria três meses depois, abatido com a recepção. A estreia na Opéra-Comique foi fria, e parte da crítica a achou imoral. O sucesso viria logo em seguida, e hoje ela é uma das óperas mais populares que existem.

A Habanera, nome pelo qual todos conhecem a ária “L’amour est un oiseau rebelle”, é a entrada da personagem-título, um papel de mezzo-soprano, no primeiro ato. Foi cantada pela primeira vez por Célestine Galli-Marié, e Bizet a reescreveu várias vezes antes de ficar satisfeito. A primeira versão, que ele cortou durante os ensaios, era outra coisa.

Este escrito comenta essa ária a partir de uma pergunta: por que a canção mais bela da ópera é também a que mais avisa? Porque é isso que ela faz. Quase tudo o que Carmen é, e o que vai acontecer com ela, está dito ali, em poucos minutos, com um ritmo que dá vontade de dançar.

Tudo o que Carmen é foi dito, e aplaudido.

A resposta que vou defender tem três partes. Primeiro, o aviso toma a forma da beleza quando não pode ser dito de frente. Segundo, a mesma beleza faz o ouvido ficar na forma e perder o recado. Terceiro, por isso o aviso bonito pede de quem ouve um segundo gesto, que é transformar o prazer em atenção.

II

A Canção Que Ninguém Inventou Sozinho

Sobre Iradier, os músicos de Cuba e a viagem de um ritmo

A melodia mais famosa da ópera não é de Bizet. Ela vem de “El Arreglito”, uma habanera do compositor basco Sebastián Iradier, publicada em 1863. Bizet achou que fosse canção folclórica, e só depois, ao descobrir o engano, acrescentou à partitura uma nota com a fonte. Iradier, que viveu de 1809 a 1865 e é lembrado sobretudo por “La Paloma”, morreu dez anos antes da estreia, sem ter como saber que a melodia dele ficaria famosa no mundo inteiro com outro nome.

O ritmo tem uma viagem mais longa ainda. A habanera é a contradança cubana, em compasso de dois tempos, e o nome vem de Havana. Aparece nos violoncelos antes mesmo de Carmen cantar. As origens da forma são disputadas: o consenso atual diz que ela parte da contradança inglesa, passou pela França e chegou a Cuba por dois caminhos possíveis, trazida diretamente por colonos espanhóis ou por franceses exilados de Saint-Domingue, o Haiti de hoje, depois da revolução que libertou a colônia entre 1791 e 1804. Em Cuba, a forma foi renovada sobretudo por músicos negros da ilha, e acredita-se amplamente que a síncope característica, o acento fora do tempo no meio do compasso, venha de formas rítmicas de origem africana. Dali o ritmo influenciou o danzón cubano e o tango argentino. No Rio de Janeiro, Ernesto Nazareth misturou a habanera com a polca e o maxixe e chamou o resultado de tango brasileiro.

Uma melodia de um basco, que um francês achou ser da Espanha, sobre um ritmo que passou pelo Haiti, por Cuba e pela África, cantada por uma mulher que diz que o amor não obedece a ninguém. A canção que fala do que ninguém prende é, ela mesma, algo que ninguém prendeu.

A canção sobre o que não se prende nunca teve dono.

Cuidado com a leitura bonita demais. Quando digo que a beleza chegou até nós atravessando fronteiras, estou interpretando, e a história real é menos limpa: houve navio, colônia, escravidão, mercado de partituras. Mas a observação fica de pé. O que resiste a viagens tão longas e tão desiguais costuma ser aquilo que as pessoas acharam que valia levar.

III

O Pássaro Que Não Se Chama

Sobre a letra que Bizet escreveu e a mulher que dança sozinha

A Habanera é o único número da ópera cuja letra Bizet escreveu sozinho, sem os libretistas Meilhac e Halévy. Isso importa. É o único momento da ópera em que Carmen fala com as palavras do próprio compositor, sem intermediário, e o que ela diz é uma declaração de termos.

Em paráfrase, a letra diz o seguinte. O amor é um pássaro rebelde que ninguém consegue domar, e chamá-lo é inútil se ele resolve recusar. Não adianta ameaça nem prece. Um homem fala bem, o outro se cala, e é o calado que ela prefere, porque ele não disse nada e mesmo assim lhe agrada. O amor é filho da Boêmia e nunca conheceu lei. Se você não me ama, eu amo você, e se eu amo você, tome cuidado. Depois vem a imagem do pássaro que você achava ter pegado e que bate as asas e foge, do amor que está longe quando você espera e que de repente está ali, ao seu redor, quando você já não esperava.

Há duas coisas na maneira como isso é cantado. A primeira é a música: as estrofes estão em ré menor, e o refrão, onde mora o aviso, abre-se em ré maior, na luz. O alerta chega no tom mais claro da canção. A segunda é o corpo. A habanera era uma dança de casais, em fila ou em quadrado, e as letras típicas falavam pela boca de homens, marinheiros e pescadores que pensavam em sua amada distante. Carmen faz o contrário. Canta como mulher cujo desejo os homens que a perseguem não conseguem conter, e dança sozinha, para si, para o divertimento de quem olha, não para o proveito dele.

A dança era de casais, e ela a dançou só.

O que Carmen diz, portanto, é muito claro, e não precisa de intérprete. Ela não quer ser possuída, não promete permanência, escolhe quem lhe agrada e avisa o que acontece se ela amar. Não há mistério na Habanera. Há um texto limpo, em primeira pessoa. O mistério vai estar no ouvido de quem escuta.

IV

A Forma Que o Aviso Toma

Sobre o Grande Prefácio ao Shijing e a canção “Cálice”

Existe uma teoria chinesa antiga para o fato de certos avisos serem cantados. O Shijing, o Livro das Canções, é a mais antiga antologia de poesia da China, com trezentos e cinco poemas, e as edições que chegaram até nós trazem um texto de abertura conhecido como o Grande Prefácio, de autoria discutida. Ali se diz que, quando a repreensão vinha em formas cultas, quem falava não ofendia e quem ouvia ficava suficientemente avisado. A poesia era o jeito de dizer ao poderoso o que não se podia dizer ao poderoso. Falava-se de passarinhos, de colheitas, de moças à beira do rio, e quem tinha ouvidos entendia.

É a primeira parte da resposta. O aviso se faz bonito quando perde o direito de ser direto. A beleza, nesse caso, é um salvo-conduto: leva o recado por territórios onde a frase simples seria barrada, punida ou simplesmente não escutada.

O Brasil tem um caso exemplar. Em 1973, Chico Buarque e Gilberto Gil compuseram “Cálice” para o show Phono 73, no Anhembi, em São Paulo. Gil tinha ido ao Evangelho: o pedido de Jesus ao Pai, na hora da agonia, para que afaste dele o cálice. Chico, ao ouvir o refrão, percebeu o que a palavra faz com o ouvido, porque “cálice”, dito em voz alta, quase se confunde com “cale-se”. O aviso estava duplamente embrulhado, numa oração e num trocadilho, sobre uma melodia que se sustenta sozinha.

Quem tem algo a perder escuta melhor o recado.

O embrulho, no entanto, não bastou. Cientes da censura prévia, os dois subiram ao palco e cantaram palavras improvisadas sobre a melodia, e mesmo assim os microfones foram cortados. A canção só foi gravada em 1978, por Chico com Milton Nascimento. É um dado que a teoria chinesa deixa de lado: a forma bonita protege o aviso, mas quem tem o poder de punir costuma ser o ouvinte mais atento. Quem não quer ouvir sempre escuta melhor do que parece.

Voltemos à praça de Sevilha. Carmen está cercada de soldados armados, num mundo em que a recusa de uma mulher a um homem de farda não é coisa que se diga numa frase. Ela canta. Esta leitura é minha, e Bizet nunca disse isso: a Habanera é a maneira que Carmen tem de declarar, em público, os termos do que aceita e do que não aceita, sem que a frase direta pareça uma provocação. A beleza dá a ela o espaço em que o aviso cabe.

V

O Ouvido de Dono

Sobre Don José, a flor e o que a beleza faz com o aviso

Do aviso, Don José ouve apenas o convite. Ele é o soldado de cabeça baixa da abertura, e é a ele que a letra se dirige quando fala do homem que se cala. Ela o escolheu, ou diz que escolheu, porque ele é o único que não pediu nada. Ao final da ária, Carmen lhe joga uma flor. Depois que ela sai, ele a apanha.

A flor é o centro do mal-entendido. Quando Carmen a joga, não entrega nada: faz um gesto, joga o que tem na mão e segue. José a guarda. No segundo ato, depois de preso por tê-la deixado fugir, ele canta a ária da flor, em que diz que a guardou na prisão e que o perfume dela o acompanhou. A mesma flor, jogada por ela, guardada por ele, resume duas maneiras de ouvir. O que ela fez foi um gesto. O que ele ouviu foi uma promessa.

Esse é o segundo passo da resposta: a beleza faz o ouvido ficar na forma. José escutou o que lhe agradava, a escolha do calado, o olhar na direção dele, a flor. Perdeu o refrão, que dizia, no tom mais claro de toda a canção, que o amor não conhece lei e que, se ela o amasse, ele deveria tomar cuidado. O ouvido que quer possuir não ouve o que o possuído diz de si. Ouve o que confirma o direito de ficar com ele.

Os censores de 1973 entenderam “Cálice” na hora, porque tinham tudo a perder com o recado. José entendeu a Habanera do jeito que lhe convinha, porque o recado custava a fantasia de que ela seria dele. O ouvido não falha por falta de beleza nem de inteligência. Escolhe o que lhe convém.

O ouvido de dono confunde o gesto com a promessa.

Isso não é só dele. A Habanera, que avisa com tanta clareza, é hoje uma das árias mais conhecidas do mundo e aparece em trilhas de cinema, ouvida em contextos em que ninguém pensa no que ela diz. A canção que mais claramente anuncia o desfecho da ópera virou ruído agradável de fundo. A beleza, quando tem sucesso, preserva a forma e dispensa a mensagem.

VI

O Filósofo na Plateia

Sobre Nietzsche, que ouviu Carmen vinte vezes

Nietzsche ouviu Carmen vinte vezes e escreveu que ficava melhor quando Bizet lhe falava. Em O Caso Wagner, de 1888, ele conta que no dia anterior tinha ido, pela vigésima vez, à ópera de Bizet, e que de novo ficou até o fim, vencendo a própria impaciência. Elogia a música porque ela não mente com grandeza, trata o ouvinte como inteligente e tem uma ironia dura e leve. E elogia o que ela diz do amor: não o amor sentimental das heroínas de Wagner, mas o amor como fatalidade, cínico, inocente e cruel, e por isso natureza, um amor cujo meio é a guerra e cujo fundo é o ódio mortal entre os sexos. Cita o grito de Don José que fecha a ópera, sim, eu a matei, eu, minha adorada Carmen, e diz não conhecer caso em que o chiste trágico que forma a essência do amor tenha virado fórmula tão terrível.

Há uma verdade nisso. Nietzsche viu que o amor de Carmen não é um enfeite, que a ópera não consola, que a mulher e o homem ali não se salvam. É um olhar raro, como ele mesmo diz.

Mas observe o que ele fez com o aviso. Ouviu a Habanera, ouviu o desfecho, e as duas coisas viraram uma fórmula bonita. A morte de uma mulher entrou na conta como uma piada trágica sobre a natureza do amor. O que a canção avisava, e o final confirmava, virou estética. Nietzsche é o ouvinte perfeito da segunda parte da resposta: ouviu com atenção, entendeu muito e não ouviu o aviso, porque estava na plateia e a plateia só aplaude.

Nenhuma plateia, por atenta, é quem leva a faca.

É por isso que a história de Carmen é tão difícil de contar sem cair nele. O filósofo que sentiu a ópera mais de perto é o que a transformou em lição sobre a natureza, e a diferença entre estar na plateia e estar no palco é exatamente a que a música borra: quem escuta desfruta, quem está no palco paga.

VII

Objeção Honesta: A Carmen Que Paris Inventou

Sobre estereótipo, exotismo e o limite do “ela avisou”

Carmen foi imaginada de longe. Bizet nunca esteve na Espanha. A novela de Mérimée é de um escritor francês. A Sevilha da ópera, com ciganas, toureiros, contrabandistas e punhais, é a Espanha que Paris queria ver, e a personagem é a mulher cigana feita de estereótipo: livre, sensual, perigosa e condenada. Se eu leio na Habanera uma declaração de liberdade, preciso lembrar que quem a escreveu foi um francês que escolheu dar essa liberdade a uma mulher que, na mesma ópera, tem de morrer.

Essa é uma objeção séria à leitura que fiz até aqui. Se Carmen é só a mulher que avisa e cumpre o destino, ela é um símbolo, uma força da natureza, como Nietzsche a leu, e não uma pessoa. O texto só se sustenta se Carmen continuar sendo alguém que diz não e é morta por isso, e não uma figura que prefigura o próprio fim.

Há ainda um limite que preciso dizer com todas as letras. O fato de Carmen avisar não torna o aviso causa do que acontece. Don José a mata, ao final, diante da arena onde se festeja outro homem, porque ela se recusa a voltar para ele. Aviso nenhum é consentimento, e nenhum aviso é provocação. A responsabilidade pelo crime é de quem o comete, e a música, por mais bela que seja, não muda isso. Se este texto parecer dizer que o aviso era dela e a surdez era dele, errou. A escuta de José não é defeito de percepção. É escolha de posse.

No Brasil, a lei reconhece desde 2015 o feminicídio, o assassinato de uma mulher por ser mulher, como crime específico. A ópera é de 1875. Entre ela e a lei passaram cento e quarenta anos, e a cena do final da Carmen se repetiu muitas vezes fora do palco, sem música.

VIII

O Segundo Gesto

Sobre o que quem ouve deve ao aviso bonito

Um aviso bonito não se cumpre sozinho. A beleza o leva até você, mas não obriga ninguém a ouvir, e é por isso que ela pede de quem escuta um segundo gesto, diferente do primeiro, que é o de se deixar encantar.

O primeiro gesto é o prazer, e não há nada de errado com ele. Ouvir a Habanera pelo que ela tem de dança, de voz, de ritmo, de ironia, é a razão de ela existir e de ter atravessado o mundo. O segundo gesto é uma pergunta que se faz depois do prazer: o que esta canção está me dizendo que eu prefiro não ouvir? Em termos práticos, é separar na canção a parte que lisonjeia da parte que avisa. José ouviu que fora escolhido. Não ouviu que escolher não é possuir.

Fora do teatro, os avisos bonitos têm outras formas. O amigo que diz, rindo, que não aguenta mais certas coisas. A pessoa que declara, de modo gracioso, os limites do que oferece. O filho que conta, numa brincadeira, o que o machuca. A regra mais simples e mais difícil que a Habanera ensina é acreditar em quem diz quem é. Quando alguém afirma com clareza o que não será, o que não aceita, o que escolhe, o respeito pede que se leve a sério, ainda que a frase venha embrulhada em riso, em canção, em ironia.

Acreditar em quem diz quem é custa um pouco de prazer.

Esse gesto tem um custo, e convém dizê-lo. Ouvir com atenção é menos agradável do que ouvir como sucesso. Exige perguntar o que não se queria perguntar, aceitar uma recusa que se preferiria discutir, deixar a flor onde caiu em vez de guardá-la como promessa. É o preço da beleza que avisa: ela só cumpre o seu trabalho quando alguém aceita perder o prazer de apenas ouvi-la.

Volte à flor. Ela a joga e não entrega nada. Ele a guarda e entende o que quer. A canção mais bela da ópera já tinha dito tudo, no tom mais claro, e o resto da história é a dos que ouviram só a forma. Quem ouve com atenção dupla, uma vez pelo prazer e outra por quem cantou, ainda tem tempo de entender.

Nota. Este texto fala de uma ópera que termina com uma mulher morta por um homem que dizia amá-la. Se você ou alguém que você conhece vive violência numa relação, o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, funciona em todo o Brasil, é gratuito e atende a qualquer hora. Em risco imediato, ligue 190.

O sino tocou.
Perguntaram quando.
Ela cantou.

A melodia era emprestada.
O ritmo veio de longe.
A flor era só uma flor.

Avisaram em ré menor.
Avisaram em ré maior.
Ele ouviu o que lhe agradava.

Quem guarda só a flor
perde o que a flor dizia.

Se a canção é bela,
escute duas vezes:
uma pelo prazer,
outra por quem a cantou.

Dedicatória

Este escrito é dedicado a quem já disse com todas as letras o que não aceitaria, e não foi ouvido.

Ainda aprendendo a ouvir duas vezes, Santos Moisés.

Este escrito lhe fez companhia?

Abertura, I e II · A cena e a viagem da canção
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