Contos · Presença · Escrito CLXXV
Domingo
Uma agenda lida em voz alta, uma frase entre uma receita e um anúncio, uma filha de cabelo azul e uma missa a que as duas chegam atrasadas
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Aba I
Abertura e I e II · A agenda lida em voz alta e a frase que o corpo leu primeiro
Aba II
III e IV · O corredor: o mar de guache e o joelho no piso frio
Aba III
V e VI · O pão que passou do ponto e a pergunta sem resposta pronta
Aba IV
VII a IX · O dia que desmoronou, o último banco e a fresta
Ela acordou às 6h40, dez minutos antes do despertador. Sempre acordava. O corpo dela tinha aprendido a se antecipar aos horários.
A cápsula caiu na máquina com o clique de sempre. O café saiu na medida, nem uma gota a mais. Ela ficou parada de roupão, olhando a xícara encher. Na bancada, a assistente de voz acendeu sozinha.
I
Cinco Compromissos
Sobre uma agenda que se ouve em voz alta
“Bom dia, Helena. Hoje é domingo. Você tem cinco compromissos.”
Cinco. Ela mesma montara a lista na sexta à noite, mas gostava de ouvir. Ouvir a deixava tranquila.
“Dez horas, mercado, com entrega agendada. Treze horas, almoço, pedido já confirmado. Dezesseis horas, conversar sobre os quinze anos da Luíza. Dezoito horas, jantar leve. Dezenove horas, missa na paróquia.”
Ela fez que sim com a cabeça, como se a máquina pudesse ver.
O apartamento estava em ordem. Aquela ordem não vinha de arrumação, porque nada ali chegava a se desarrumar. Almofadas em ângulo reto, a manta dobrada no braço do sofá, plantas regadas por um sistema que ela instalou numa tarde e nunca mais precisou lembrar. O domingo entrava pela janela da sala e não encontrava nada para mexer.
Uma casa sem imprevisto também não recebe visita.
No fundo do corredor, a porta do quarto de Luíza estava fechada. Do outro lado, nenhum som. A filha ia fazer quinze anos em três semanas e dormia como quem nunca tivesse sido avisada de que existia um dia inteiro pela frente. Helena previra que ela acordaria por volta das onze. Já tinha deixado o pão separado.
No celular, numa pasta chamada Quinze Anos, havia dois orçamentos de buffet, um vestido salvo de uma loja do shopping, três opções de cerimonial e uma planilha de convidados que ela abria às vezes só para ver as colunas alinhadas. Luíza nunca tinha dito que queria nada daquilo. Helena também nunca tinha perguntado.
Tomou o café em pé. Depois sentou no sofá e abriu o celular. O polegar subiu pela tela sozinho: uma receita de pão de fermentação natural, o anúncio de um colchão, a foto de uma colega em Lisboa, uma cápsula nova de café com notas de caramelo.
Tudo muito bonito. Tudo muito limpo.
Ela não sentia falta de nada. Pensou isso com clareza, e a clareza a deixou, por um segundo, estranhamente cansada.
II
O Polegar Que Parou
Sobre uma frase que o corpo leu antes da cabeça
O polegar parou sem que ela mandasse.
Letras pretas sobre fundo branco. Nenhuma foto, nenhum filtro, nenhum rosto sorrindo ao lado de uma xícara. Só uma frase, no meio de tanta coisa arrumada para agradar.
“É preciso ter caos dentro de si para parir uma estrela dançante.”
Helena passou. Rolou mais dois posts, um vídeo de cachorro, um sorteio de bolsa. Voltou. A frase continuava lá, grande demais para a tela, como uma pessoa de pé numa fila de gente sentada. Embaixo, uma legenda curta, cortada por um “mais” em cinza. Ela não tocou.
Leu de novo, devagar, do jeito que não lia nada desde a faculdade.
A primeira palavra a incomodar foi “caos”, e essa ela entendia. Pensou em quarto bagunçado, planilha errada, voo cancelado. Nada daquilo era dela. Mas foi outra palavra que fez o corpo se mexer antes da cabeça. Parir.
O corpo leu uma palavra que a cabeça ainda traduzia.
Algo se fechou e se abriu na barriga, um pouco abaixo do umbigo, numa região que ela não visitava havia anos. E então veio a memória, sem pedir licença. Dezenove horas de trabalho de parto numa madrugada de julho. A camisola grudada, o suor escorrendo para os olhos, uma palavra que ela nunca tinha dito a ninguém dita em voz alta para o marido, que segurava a mão dela e não tinha culpa de nada. O momento em que o corpo deixou de consultar plano e fez o que tinha de fazer sozinho. Nada ali estava em ordem. O sangue, o grito, o cheiro. E depois uma coisa pequena, escorregadia, berrando, viva, colocada em cima do peito dela.
Ninguém chamou aquilo de caos, na época. Chamaram de nascimento. No sofá, com o café esfriando na mão, Helena se perguntou, sem formular direito, se as duas palavras não seriam a mesma coisa vista por lados diferentes.
Bloqueou a tela. Eram 9h14. O mercado era às dez.
III
O Mar de Guache
Sobre o que se desfaz sem que haja um dia marcado
Levantou. Não por causa do mercado, que entregava em casa. Levantou porque sentada estava ficando insuportável.
Caminhou pelo apartamento como se fosse de outra pessoa. A cozinha de bancada de quartzo, sem uma migalha. A sala com os livros organizados por cor, ideia de uma decoradora que ela nunca teve coragem de desfazer. O banheiro com os frascos alinhados por altura. Tudo funcionava. Em seis anos morando ali, nada tinha quebrado que ela não consertasse na mesma semana.
Parou diante do corredor. A porta de Luíza tinha um adesivo de caveira rosa, meio descolado. Atrás dela, Helena sabia, havia desordem de verdade: roupa no chão, copos esquecidos, fios, um caderno cheio de desenhos, cheiro de esmalte e de menina. Helena entrava lá duas vezes por mês, com sacolas de roupa passada, e dizia sempre a mesma frase. “Dá uma organizada nisso, filha.”
Lembrou que Luíza, aos cinco anos, esvaziou um pote de guache azul no tapete da sala do apartamento antigo e se deitou no meio, de braços abertos, fazendo mar. Helena riu tanto que precisou sentar. Tirou foto. Marcos, da cozinha, perguntou: “Isso sai?” Saiu, mais ou menos. O tapete ficou com uma sombra azulada, e ela guardou a sombra por três anos, até a mudança.
Em que momento aquilo deixou de ser mar e passou a ser fase? Helena não achava a data. Não houve dia. Houve um acúmulo de pedidos pequenos e razoáveis: a agenda escolar, o guarda-roupa por cores, o caderno de desenhos que podia esperar depois das provas.
Fase é o nome que a pressa dá ao mar.
O casamento tinha acabado do mesmo jeito, sem data. Nada de briga, prato quebrado, porta batida. Houve uma conversa em março, duas advogadas, uma planilha de divisão de bens e um almoço depois da assinatura, em que ela e Marcos pediram sobremesa e riram de uma bobagem qualquer. Todo mundo elogiou como o processo foi civilizado. Ela se orgulhou disso por seis anos. Agora, no corredor, a palavra “civilizado” soava como adjetivo de móvel.
IV
O Joelho no Piso Frio
Sobre uma missa que virou item da agenda
Pensou então na outra linha da agenda, a das dezenove horas.
Quando criança, ia à missa com a avó, na igreja de pedra do bairro velho. Lembrava de cera derretida, de flor murcha no altar, de um joelho que doía no piso frio e que a avó, sem olhar, apertava com a mão para que ela não reclamasse. Era longo, era desconfortável, e ela era pequena e entediada e, ainda assim, estava lá, inteira, com o joelho doendo. Alguma coisa acontecia naquele banco que ela nunca soube nomear.
Hoje a paróquia tinha ar-condicionado, estacionamento fácil e missa de quarenta e cinco minutos. Na homilia, Helena já conferia o relógio. No Pai-Nosso, pensava no banho. Saía com a sensação de ter feito uma coisa certa, e a sensação durava até a esquina.
O rito não encolheu. O que encolheu foi a atenção.
Ficou parada no corredor. A pergunta estava a poucos passos de distância, e ela fingiu que era outro barulho.
V
O Pão Que Passou do Ponto
Sobre a primeira coisa feita sem utilidade
Luíza apareceu às 11h20.
O mercado já tinha entregado. As sacolas esperavam na bancada, e Helena ainda não as guardara. Pela primeira vez em muito tempo havia coisa fora do lugar na cozinha, e ela olhava para aquilo como quem olha um bicho que entrou sem avisar.
A filha veio descalça, com uma camiseta preta enorme e as pontas do cabelo azuis, descoloridas por ela mesma na pia em junho, o que deixou no rejunte uma mancha que Helena ainda esfregava às sextas. Abriu a geladeira, não pegou nada, fechou. Olhou para a mãe.
“Você tá estranha.”
Em outro domingo, Helena teria respondido com três frases prontas. Bom dia, filha. Tem pão, tem fruta, senta aí. Dormiu bem? Sentiu o mecanismo se armar na garganta e deixou que rodasse no vazio.
“Estou”, disse. “Não sei de quê.”
Luíza ergueu uma sobrancelha, a mesma que herdara do pai e usava contra a mãe desde os doze anos.
Helena pegou duas fatias do pão separado e enfiou na torradeira. Girou o botão até o máximo. Ficou de pé, braços cruzados, olhando as resistências ficarem vermelhas. Sabia exatamente o tempo certo de um pão e passou dele de propósito, com um prazer pequeno e meio envergonhado, o prazer de quem pisa numa poça sabendo que a meia vai molhar.
O cheiro veio antes da fumaça. A fumaça veio antes do alarme.
O detector apitou no teto, agudo, absurdo. Luíza olhou para a mãe, para o pão preto, para o teto, e a boca foi abrindo devagar até virar riso. Um riso de garganta, verdadeiro, que Helena não ouvia fazia meses e que a fez lembrar da criança deitada no meio do tapete azul.
“Mãe!”
“Abre a janela”, disse Helena, subindo numa cadeira para abanar o detector com um pano de prato, e percebendo no meio do gesto que estava sorrindo.
Na bancada, a assistente acendeu. “Detectei um alarme. Está tudo bem?”
“Está. Cancela o almoço.”
“O pedido das treze horas está confirmado. Deseja reagendar?”
“Não. Cancela.”
Houve uma pausa de máquina, quase ofendida. “Almoço cancelado.”
Luíza olhava para ela de boca aberta. “Você acabou de cancelar o almoço?”
“Acabei.”
“Quem é você?”
Luíza raspou o preto das torradas com a faca e comeu em pé, de boca cheia. Depois pegou o celular e pôs uma música no alto-falante da sala: uma banda de meninas gritando em inglês por cima de guitarras sujas. Helena esperou o reflexo de pedir para baixar. Ele veio, ela o reconheceu e não o obedeceu.
“Aumenta”, disse.
“Você não ouve isso.”
“Não ouço. Quero saber como é.”
A filha aumentou, desconfiada, olhando de lado. Com a música no máximo, as duas ficaram um tempo sem falar, no meio da cozinha cheirando a pão queimado, e nenhuma soube bem onde pôr as mãos.
VI
O Que Você Quer
Sobre uma pergunta feita sem a resposta embutida
“Quatro horas, né?”, disse Luíza, gritando um pouco para vencer a guitarra. “Eu vi na bancada. ‘Conversar sobre os quinze anos da Luíza.’ Parece reunião.”
“É reunião.”
“Então já vou adiantando: se for pra falar de buffet, eu nem sento.”
Helena sentiu as perguntas se alinharem dentro dela, prontas, como cápsulas numa gaveta. Quanto vai custar, onde vai ficar, quem vai com você, qual o plano B. Conhecia todas de cor. Não disse nenhuma.
“Fala você”, disse. “O que você quer?”
Luíza parou de mastigar. Ninguém tinha perguntado aquilo para ela daquele jeito, sem a resposta embutida.
“Quero ir pra Chapada Diamantina”, disse, rápido, do jeito que se arranca um curativo. “Uma semana. Sozinha. Já vi hostel, vi ônibus, vi tudo. É o meu aniversário. Eu não quero vestido. Eu quero ir.”
O mecanismo tentou subir outra vez. Helena sentiu na boca as frases: você tem quinze anos, impossível, nem pensar. Eram razoáveis. Quase todas eram verdadeiras. Ela segurou todas na língua e percebeu que, atrás delas, havia só uma coisa.
“Estou com medo”, disse.
“Eu sei.”
“Muito.”
“Eu sei, mãe.” Luíza olhou para a fatia preta na mão dela. “Isso é um não?”
“Não sei.”
Helena nunca tinha dito aquela frase dentro de casa sem um “mas” atrás. Ficou ali, pendurada, sem nada em volta. Era desconfortável como piso frio sob o joelho.
Dizer não sei, sem mas, pesa mais que um não.
Luíza demorou a entender que não havia armadilha. Deu de ombros, mas devagar, e o ombro desceu mais tarde que o gesto. Já na porta da cozinha, olhando para o outro lado, perguntou:
“Hoje tem missa, né?”
“Tem.”
“Você acredita nisso ou só vai?”
Helena abriu a boca e nada preparado saiu. Pensou na avó apertando o joelho dela. Pensou no relógio.
“Eu ia dizer que acredito”, respondeu. “Mas faz tempo que eu não presto atenção o bastante para saber.”
Luíza ficou um instante com cara de quem recebeu um troco maior do que esperava.
“Posso ir?”
“Você?”
“Faz quatro anos que eu não vou. Quero ver sua cara lá.”
Era uma resposta debochada, e era para ser. Helena aceitou assim mesmo, com o deboche inclusive.
VII
A Agenda Que Caiu
Sobre um domingo que saiu do roteiro sem barulho
O dia que ela tinha desenhado desmoronou sem barulho, o que a surpreendeu.
As sacolas ficaram na bancada até as duas da tarde, quando Luíza, com fome, resolveu abrir todas. Fizeram ovos mexidos na própria frigideira, comeram direto dela, de garfo, e a frigideira ficou na pia com a gordura endurecendo, o que Helena viu e deixou. As quatro horas chegaram e passaram. A assistente anunciou, na voz de sempre: “Helena, são dezesseis horas. Conversar sobre os quinze anos da Luíza.” As duas estavam no chão da sala, costas contra o sofá, e o celular de Luíza no meio do tapete mostrava um mapa cheio de pontos verdes.
“Já estamos conversando”, disse Helena para a bancada. A máquina não entendeu e repetiu o aviso. Luíza riu de novo.
Mostrou o hostel só para mulheres, a trilha de uma cachoeira que ela já tinha marcado, uma guia local que levava grupos pequenos. Helena fez perguntas, e não eram as de sempre. Como é o café da manhã de lá. O que você vai levar para ler. O que você faz se bater saudade. Não anotou nada. Quando Luíza perguntou “então pode?”, Helena disse que ainda não sabia e que queria olhar o mapa mais um pouco. Luíza não gostou da resposta e não insistiu, o que era mais estranho e talvez melhor.
Perguntar sem anotar é uma forma de ficar.
Quando Helena olhou o relógio, eram 19h08.
VIII
O Último Banco
Sobre chegar atrasada e ficar por inteiro
Luíza estava de moletom, com suco derramado na camiseta. Helena usava a blusa amarrotada da manhã, o cabelo preso com um lápis achado no sofá. Não houve tempo de trocar nada. Pegou a chave. Luíza pegou as botas e calçou no elevador, pulando num pé só.
Chegaram às 19h22. A leitura já tinha começado. Entraram por trás, a porta enorme rangendo, algumas cabeças virando e desviando. Helena, que sempre sentava na quarta fileira, no lado do corredor, para sair rápido, foi parar no último banco, junto de uma pilastra, com Luíza ao lado, de cabeça baixa e um riso preso entre os dentes.
Dali de trás, a missa era outra. Via-se a nuca de todo mundo. A voz do padre chegava com atraso, misturada ao ventilador. Duas fileiras à frente, uma senhora de lenço mexia os lábios em silêncio, e Helena ficou olhando a boca dela. O cheiro de cera. Tinha esquecido do cheiro de cera.
Ajoelharam. O genuflexório era de madeira nua, e o joelho de Helena encontrou a tábua e doeu. Ela deixou doer. Não conferiu o relógio. Só percebeu isso por volta do Cordeiro de Deus, quando já não sabia há quanto tempo estava ali.
Na comunhão, Luíza ficou sentada. Helena foi e voltou. No silêncio que veio depois, aquele em que a igreja inteira respira igual, a barriga de Luíza roncou. Um som longo, lamentoso, absurdo, de quem não comia nada além de ovo de frigideira desde o meio-dia. Helena sentiu primeiro o tremor nos ombros. Cobriu a boca com a mão. Luíza olhou de lado, tentando ficar séria, e fracassou. As duas se dobraram em silêncio, sacudindo o banco, com lágrimas nos olhos. A senhora de lenço virou meio rosto, e o olhar dela não tinha raiva nenhuma.
Presença cabe até num ronco de barriga.
Quando o riso passou, ficou uma quietude diferente, gasta, de gente que riu demais. Os ombros se tocavam no banco estreito. Ninguém disse nada. Helena percebeu que estava rezando, ou algo perto disso, sem palavras formadas, e que Luíza, ao lado, não tinha se afastado.
Quando o padre disse “Podem ir em paz”, ela se surpreendeu. Tinha ouvido a frase inteira.
IX
Uma Fresta
Sobre um prazo honesto e o que a legenda dizia
Voltaram a pé, porque eram só três quadras. Luíza foi na frente, mãos nos bolsos do moletom, chutando uma tampinha. Na esquina, sem se virar:
“Você ainda não respondeu.”
“Eu sei.”
“Vai responder?”
“Vou. Hoje não.”
Luíza assentiu. Era um prazo honesto.
Em casa, a frigideira estava na pia, as sacolas abertas na bancada, o cheiro de pão queimado ainda preso na cortina. Luíza foi para o quarto. Helena ouviu os passos, depois a porta, e demorou um instante para entender o que faltava. O clique da fechadura. A porta ficou encostada, com uma fresta por onde passava, baixinho, o resto da música.
Helena sentou no sofá, no escuro, sem arrumar as almofadas. A assistente acendeu.
“Boa noite, Helena. Dos cinco compromissos de hoje, dois foram concluídos.”
Ela não corrigiu. Não pediu que reagendasse nada. Pegou o celular, e o polegar subiu pelo feed até encontrar as letras pretas sobre o fundo branco, onde ela as tinha deixado. Dessa vez tocou no “mais”, em cinza, embaixo da frase.
A legenda abriu inteira. Era curta.
Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra.
Cinco compromissos,
dois cumpridos,
e o dia mais inteiro que os outros.
Um pão passou do ponto.
Uma barriga roncou no silêncio.
Uma porta ficou encostada.
Quem tem tudo no lugar
ainda pode perguntar
o que o lugar faz com a gente.
Hoje não respondeu.
Deixou a resposta para outro dia,
e esse prazo, pela primeira vez, era honesto.
Dedicatória
Este escrito é dedicado a quem já tratou a própria vida como agenda e aprendeu, num domingo qualquer, a deixar um item cair.
Ainda aprendendo a deixar o pão passar do ponto, Santos Moisés.
Este escrito faz parte de
Este escrito lhe fez companhia?